Explanation of the Saint Tridentine Mass Rubrics.

domingo, 21 de setembro de 2014

I - INTRODUÇÃO AO DIÁLOGO COM DEUS PAI.

I - INTRODUÇÃO AO DIÁLOGO COM DEUS


 PAI

1 . CATARINA EM VIGÍLIA NOTURNA


1.1 - É pelo amor que o homem se une a Deus.


   Estava certa pessoa arrebatada em grandíssimo desejo da glória divina e da salvação dos homens...Exercitara-se durante algum tempo na prática da virtude, vivendo habitualmente na cela do autoconhecimento para melhor conhecer a Deus presente em si mesma. Quem ama procura seguir a Verdade e revestir-se dela. Não existe, porém, melhor modo de saborear a Verdade e de ser por ela iluminado, que a oração humilde e contínua, baseada no conhecimento de si e de Deus. Tal oração une o homem a Deus nas pegadas de Cristo crucificado; identifica-o com ele no desejo, na afeição, na união amorosa. Jesus parece afirmar tudo isso quando diz: "Quem ama guarda as minhas palavras e eu me manifestarei a ele; será uma só coisa comigo e eu com ele (Jo 14,21; 17,21). Em outras passagens bíblicas, ainda, encontramos expressões semelhantes, que revelam ser verdade o seguinte: pelo amor, o homem torna-se um outro Cristo!

   Para explicar-me melhor, recordo de ter ouvido de uma serva de Deus que, estando em oração, o Senhor não lhe ocultou seu amor pelos seus servidores, mas lho revelou dizendo entre outras coisas: "Usa a tua fé e fixa o pensamento em mim; verás a dignidade e a beleza do homem! Mas além da beleza que lhe provém da criação, presta atenção nestes que estão revestidos com a roupa nupcial da caridade, adornados com tantas e tão belas virtudes. Eles se acham unidos a mim pelo amor. Se me perguntares quem são - assim continuava o doce e amoroso Verbo - direi que são outro eu. Eles destruíram a vontade própria, revestiram-se da minha vontade, uniram-se a ela, a ela se conformaram". Realmente, é pelo amor que o homem se une a Deus.


1.2 - As quatro petições


   Desejando conhecer e seguir mais virilmente a Verdade, aquela serva elevou a Deus o seu anseio: primeiramente por si mesma, convencida de que ninguém pode ser de fato, útil aos demais através do ensino, do exemplo e da oração, se não cuidar de si pela aquisição das virtudes. Ela fez quatro petições ao Pai eterno: a primeira por si mesma; a segunda, pela reforma da santa Igreja; a terceira, de caráter geral, pelo mundo todo, sobretudo em favor da pacificação dos cristãos rebeldes que tanto pecam e prejudicam a santa Igreja; na quarta, rogava à Providência divina que cuidasse de todos, sobretudo de um caso particular.


1.3 - Catarina se oferece como vítima


   O ardor era grande, contínuo. E aumentou ainda mais quando a Verdade Primeira lhe revelou as necessidades do mundo, mostrando-lhe a sua confusão e pecados. Também uma carta do diretor espiritual¹ falava de sofrimentos e dor intoleráveis, por causa das ofensas cometidas contra Deus, da condenação eterna de muitos e da perseguição contra a santa Igreja. Tudo isso lhe acendia a chama do desejo santo, num misto de tristeza pelos pecados e de alegria pela esperança de que Deus haveria de dar solução a tantos males.

   Como considerasse a eucaristia como o meio mais apto para a união do homem com Deus e maior conhecimento da Verdade - pois na comunhão o homem se acha em Deus e Deus no homem, como peixe no mar e o mar no peixe - aquela serva ansiava pela aurora a fim de ir à missa. Era um sábado, o dia de Maria. Amanheceu. Na hora da missa, sentiu um desejo imenso. Com profundo conhecimento de si, envergonhava-se da própria imperfeição. Parecia-lhe ser a causa de todos os males do mundo. Por essa razão odiava-se com santa justiça, desprezava-se. Esse conhecimento, ódio, justiça, purificaram-na dos pecados que julgava ter, e que de fato lhe estavam na alma.
   Dizia: "Ó eterno Pai, dirijo-me a ti para que castigues meus defeitos neste mundo. E porque, pelas minhas faltas, sou a responsável dos sofrimentos que meu próximo padece, rogo-te que bondosamente te desagraves em mim.

sábado, 16 de agosto de 2014

The Assumption of the Blessed Virgin Mary

The Assumption of the Blessed Virgin Mary Mass Propers:
Saint Tarcisius, Martyr:
Double of I Class with common Octave, White:

Introit



 Apoc. 12: 1


Signum magnum appáruit in cælo: múlier amícta sole, et luna sub pédibus ejus, et in cápite ejus coróna stellárum duódecim. 


And there appeared a great wonder in heaven; a woman clothed with the sun, and the moon under her feet, and upon her head a crown of twelve stars.


Ps. 97: 1


Cantáte Dómino cánticum novum:  quia mirabília fecit. Ps. 97: 1.  O sing unto the Lord a new song; for he hath done marvellous things.


The Collect


Omnípotens sempitérne Deus, qui Immaculátam Vírginem Maríam, Fílii tui Genitrícem, córpore et ánima ad cæléstem glóriam assumpsísti: concéde, quæsumus; ut ad supérna semper inténti, ipsíus glóriæ mereámur esse consórtes.  Per eúmdem Dóminum nostrum Jesum Christum Fílium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sæcula sæculórum.


Almighty and everlasting God, who hast taken up into heavenly glory both the body and soul of the Mother of thy Son, the immaculate Virgin Mary: grant, we beseech thee; that we may in such wise set our affections on things above; that we may finally attain unto fellowship with her in glory.  Through the same Jesus Christ thy Son our Lord, who liveth and reigneth with thee, in the unity of the Holy Ghost, ever one God, world without end.


The Epistle


Judith 13:22-25; 15:10


 [22] Universi autem adorantes Dominum, dixerunt ad eam: Benedixit te Dominus in virtute sua, quia per te ad nihilum redegit inimicos nostros. [23] Porro Ozias princeps populi Israel dixit ad eam: Benedicta es tu, filia, a Domino Deo excelso prae omnibus mulieribus super terram. [24] Benedictus Dominus, qui creavit caelum et terram, qui te direxit in vulnera capitis principis inimicorum nostrorum: [25] quia hodie nomen tuum ita magnificavit, ut non recedat laus tua de ore hominum, qui memores fuerint virtutis Domini in aeternum, pro quibus non pepercisti animae tuae propter angustias et tribulationem generis tui, sed subvenisti ruinae ante conspectum Dei nostri. [10] Quae cum exisset ad illum, benedixerunt eam omnes una voce, dicentes: Tu gloria Jerusalem; tu laetitia Israel; tu honorificentia populi nostri:


 [22] And they all adored the Lord, and said to her: The Lord hath blessed thee by his power, because by thee he hath brought our enemies to nought. [23] And Ozias the prince of the people of Israel, said to her: Blessed art thou, O daughter, by the Lord the most high God, above all women upon the earth. [24] Blessed be the Lord who made heaven and earth, who hath directed thee to the cutting off the head of the prince of our enemies. [25] Because he hath so magnified thy name this day, that thy praise shall not depart out of the mouth of men who shall be mindful of the power of the Lord for ever, for that thou hast not spared thy life, by reason of the distress and tribulation of thy people, but hast prevented our ruin in the presence of our God.

 [10] And when she was come out to him, they all blessed her with one voice, saying: Thou art the glory of Jerusalem, thou art the joy of Israel, thou art the honour of our people:

The Gradual and Alleluia


Audi, fília, et vide, et inclína aurem tuam: et concupíscet Rex pulchritúdinem tuam


Hearken, O daughter, consider, and incline thine ear; so shall the King have pleasure in thy beauty;


V.  Tota decóra ingréditur fília regis, textúræ áureæ sunt amíctus ejus. 


V.  All glorious is the daughter of the king as she doth enter; her raiment is threaded with spun gold.


Allelúja, allelúja.  V.  Assúmpta est María in cælum:  gaudet exércitus Angelórum.  Allelúja. 


Alleluia, alleluia.  V.  Mary is taken up into heaven, the company of the Angels is joyful.  Alleluia.


The Gospel


Luke 1: 41-50


.


[41] Et factum est, ut audivit salutationem Mariae Elisabeth, exsultavit infans in utero ejus: et repleta est Spiritu Sancto Elisabeth: [42] et exclamavit voce magna, et dixit: Benedicta tu inter mulieres, et benedictus fructus ventris tui. [43] Et unde hoc mihi, ut veniat mater Domini mei ad me? [44] Ecce enim ut facta est vox salutationis tuae in auribus meis, exsultavit in gaudio infans in utero meo. [45] Et beata, quae credidisti, quoniam perficientur ea, quae dicta sunt tibi a Domino.


[46] Et ait Maria: Magnificat anima mea Dominum: [47] et exsultavit spiritus meus in Deo salutari meo. [48] Quia respexit humilitatem ancillae suae: ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes, [49] quia fecit mihi magna qui potens est: et sanctum nomen ejus, [50] et misericordia ejus a progenie in progenies timentibus eum.



[41] And it came to pass, that when Elizabeth heard the salutation of Mary, the infant leaped in her womb. And Elizabeth was filled with the Holy Ghost: [42] And she cried out with a loud voice, and said: Blessed art thou among women, and blessed is the fruit of thy womb. [43] And whence is this to me, that the mother of my Lord should come to me? [44] For behold as soon as the voice of thy salutation sounded in my ears, the infant in my womb leaped for joy. [45] And blessed art thou that hast believed, because those things shall be accomplished that were spoken to thee by the Lord.


[46] And Mary said: My soul doth magnify the Lord. [47] And my spirit hath rejoiced in God my Saviour. [48] Because he hath regarded the humility of his handmaid; for behold from henceforth all generations shall call me blessed. [49] Because he that is mighty, hath done great things to me; and holy is his name. [50] And his mercy is from generation unto generations, to them that fear him.


The Offertory


Gen. 3: 15


Inimicítias ponam inter te et mulíerem, et semen tuum et Semen illíus. 


I will put enmity between thee and the woman, and between thy seed and her seed.


The Secret:


Ascéndat ad te, Dómine, nostræ devotiónis oblátio, et, beatíssima Vírgine María in cælum assúmpta intercedénte, corda nostra, caritátis igne succénsa, ad te júgiter adspírent.  Per Dóminum nostrum Jesum Christum Fílium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus. 


May the offering of our devotion rise up unto thee, O Lord, and by the intercession of the most blessed Virgin Mary, who hath been assumed into heaven, may our hearts, burning with the fire of charity, aspire continually to be united with thee.  Through Jesus Christ thy Son our Lord, who liveth and reigneth with thee, in the unity of the Holy Ghost, ever one God.


The Communion 


Luke 1: 48-49


Beátam me dicent omnes generatiónes, quia fecit mihi magna qui potens est.


All generations shall call me blessed, for he that is mighty hath magnified me.


The Postcommunion


Sumptis, Dómine, salutáribus sacraméntis:  da, quæsumus; ut, méritis et intercessióne beátæ Maríæ in cælum assúmptæ, ad resurrectiónis glóriam perducámur.  Per Dóminum nostrum Jesum Christum Fílium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitáte Spíritus Sancti Deus, per ómnia sæcula sæculórum.


Having received these salutary sacraments, O Lord, we pray thee, that by the intercession and merits of the Blessed Virgin Mary assumed into heaven, we may be brought unto the glory of the Resurrection.  Through Jesus Christ thy Son our Lord, who liveth and reigneth with thee, in the unity of the Holy Ghost, ever one God, world without end.





sábado, 26 de julho de 2014

Mensagem de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nosso Senhor Jesus Cristo a São Pio de Pietrelcina: "Minha casa tornou-se, para muitos, um teatro de divertimentos"
[282] Ouça, caro padre, os justos lamentos de nosso dulcíssimo Jesus: deixam-me sozinho de noite, sozinho de dia nas igrejas. Não cuidam mais do sacramento do altar; nunca se fala desse sacramento de amor; e mesmo os que falam, infelizmente, com que indiferença, com que frieza! (342)

[283] "O meu coração", diz Jesus, está esquecido. Já ninguém se preocupa com o meu amor. Estou sempre triste. Minha casa tornou-se, para muitos, um teatro de divertimentos; mesmo os meus ministros, que sempre considerei com predileção, que amei como a pupila de meus olhos, deveriam consolar o meu Coração cheio de amargura, deveriam ajudar-me na redenção das almas. Em vez disso, quem o acreditaria?, devo receber deles ingratidão e falta de reconhecimento. Vejo, meu filho, muitos desses que... (aí se calou, os soluços lhe apertaram a garganta, chorou em segredo), sob aparências hipócritas, me traem com comunhões sacrílegas, esmagando as luzes e as forças que continuamente lhes dou...". Jesus continuou ainda a lamentar-se. Padre, como me faz mal ver Jesus chorar! Também o senhor passou por isso? (342)

[284] Sexta-feira de manhã (28-03-1913) eu ainda estava na cama quando me apareceu Jesus, totalmente maltratado e desfigurado. Mostrou-me um grande número de sacerdotes regulares e seculares, entre os quais diversos dignatários eclesiásticos; destes, alguns estavam celebrando, outros se paramentando, e outros retirando as sagradas vestes. Ver jesus angustiado causava0me grande sofrimento, por isso quis perguntar-lhe por que sofria tanto. Não obtive nenhuma resposta. Porém, o seu olhar voltou-se para aqueles sacerdotes. Mas, pouco depois, quase horrorizado e como se estivesse cansado de observar, desviou o olhar e quando o ergueu para mim, com grande temor, verifiquei que duas lágrimas lhe sulcavam as faces. Afastou-se daquela turba de sacerdotes, tendo no rosto, uma expressão de profundo pesar, gritando: Carniceiros! E voltando para mim disse: "Meu filho, não creias que a minha agonia tenha sido de três horas, não. Por causa das almas por mim mais beneficiadas, estarei em agonia até o fim do mundo. Durante o tempo da minha agonia, meu filho, não convém dormir. Minha alma vai a procura de algumas gotas de piedade humana; mas ai de mim! Deixam-me sozinho sob o peso da indiferença. A ingratidão e os meus ministros supremos tornam opressiva minha agonia. Ai de mim! Como correspondem mal ao meu amor! O que mais me aflige é que, à sua indiferença, esses homens acrescentam o desprezo, a incredulidade. Quantas vezes eu estive a ponto de fulminá-los, se não tivesse sido detido pelos anjos e pelas almas enamoradas de mim... Escreve ao teu padre narrando o que viste e ouviste de mim esta manhã. Diz a ele que mostre a tua carta ao padre provincial...". Jesus ainda continuou mas o que disse não poderei revelar a criatura alguma deste mundo. Essa aparição me causou tal dor no corpo, porém ainda mais na alma, que durante o dia todo fiquei prostrado e acreditaria estar morrendo, se o dulcíssimo Jesus já não me tivesse revelado... Infelizmente, Jesus tem razão de nossa ingratidão! (350)

Padre Pio. Florilégio do Epistolário. Ps. 182-184.

domingo, 2 de março de 2014

The Most Holy Trinity II


"And the Catholic Faith is this, that we worship one God in Trinity, and Trinity in unity. Neither confounding the Persons, nor dividing the Substance. ... But the Godhead of the Father, of the Son, and of The Holy Ghost is one, the glory equal, the majesty co-eternal. ... The Father is made of none, neither created, nor begotten. The Son is of the Father alone: not made, nor created, but begotten. The Holy Ghost is of the Father and the Son: not made, nor created, nor begotten, but proceeding. ... And in this Trinity nothing is afore or after, nothing is greater or less, but the whole three Persons are co-eternal together, and co-equal" (From the Athanasian Creed).

12. Unity of the Blessed Trinity

Are the three divine Persons perfectly equal to one another? -- The three divine Persons are perfectly equal to one another, because all are one and the same God.
"Such as the Father is, such is the Son, and such is the Holy Ghost. The Father Uncreated, the Son Uncreated, and the Holy Ghost Uncreated. The Father Infinite, the Son Infinite, and the Holy Ghost Infinite. The Father Eternal, the Son Eternal, and the Holy Ghost Eternal, and yet they are not Three Eternals but One Eternal. As also there are not Three Uncreated, nor Three Infinite, but One Uncreated, and One Infinite. So likewise the Father is Almighty, the Son Almighty, and the Holy Ghost Almighty. And yet they are not Three Almighties, but One Almighty." (From the Athanasian Creed.)
All three Persons are equal in every way, equal in power and glory. The attributes and external works of God are common to all three Persons. However, in human speech we attribute certain works to each Person.
Thus we attribute to the Father the works of creation, to the Son the work of redemption, and to the Holy Ghost the work of sanctification. In reality these works belong equally to all three.

How are the three divine Persons, though really distinct from one another, one and the same God? -- The three divine Persons, though really distinct from one another, are one and the same God because all have one and the same divine nature.

  1. Each of the divine Persons is God."So the Father is God, the Son is God, and the Holy Ghost is God. And yet they are not three Gods, but one God. So likewise the Father is Lord, the Son is Lord, and the Holy Ghost is Lord. And yet they are not three Lords but one Lord. For, like as we are compelled by Christian truth to acknowledge every Person by Himself to Be God and Lord, so are we forbidden by the Catholic Religion to say, there be three Gods or three Lords." (From the Athanasian Creed.)
  2. There are three Persons, but only one Being. The Father is neither the Son nor the Holy Ghost. The Son is neither the Father nor the Holy Ghost. The Holy Ghost is neither the Father nor the Son.It was the Son Who became man and died for us, not the Father or the Holy Ghost. But when we receive God the Son in Holy Communion, we also spiritually receive God the Father and God the Holy Ghost. The Blessed Trinity then dwells in us as in a Temple.
Can we fully understand how the three divine Persons, though really distinct from one another, are one and the same God? -- We cannot fully understand how the three divine Persons, though really distinct from one another, are one and the same God, because this is a supernatural mystery.
  1. A supernatural mystery is a truth which we cannot fully understand, but which we firmly believe because we have God's word for it. A supernatural mystery is above reason, but not contrary to it. No man can explain a mystery; neither can anyone know it unless it is revealed by God. "Great art thou, O Lord, in counsel, and incomprehensible in thought" (Jer. 32:19).It is not unreasonable to believe in a supernatural mystery. There are many natural mysteries around us that no one has yet been able to explain, yet we believe them: electricity, magnetism, force, and many of the processes of life.
  2. The doctrine of the Blessed Trinity is a strict mystery; that is, we cannot learn it from reason, nor understand it completely, even after it has been revealed to us.The doctrine contains two truths our reason cannot fully understand: (1) that there is only one God; and (2) that each of the three Persons is God. We can understand each of these truths separately, but not when taken together.
    The mystery of the Blessed Trinity is not a contradiction. We do not say that there are three gods in one God, nor that the three divine Persons are one Person.
    We only say that there are three Persons in one God, that is, three Persons, and one nature or essence. Somewhat similarly, the soul of man has will, understanding, and memory, but it is only one soul. Also, the sun has form, light, and heat, but it is only one sun. Three flames put together make only one flame.
Why do we believe in the mystery of the Blessed Trinity? --We believe in the mystery of the Blessed Trinity because God Himself revealed it to us."Thy word is Truth" (John 17:17). The mystery of the Blessed Trinity is the greatest of all mysteries. We believe it because God has revealed it to us, but we cannot fully understand it. It would be foolish to refuse to believe just because we cannot understand; that would be like a blind man who refuses to believe there is a sun, because he cannot see it. Is God limited because we are?

  1. The Jews did not explicitly believe in the Blessed Trinity, although there are references to the mystery in the Old Testament.Before making man, God said: "Let Us make man to Our own image" (Gen. 1:26). David says: "The Lord said to my Lord, Sit on my right hand."
  2. Our Lord Jesus Christ revealed the mystery. He said:"Go, therefore, and make disciples of all nations, baptizing them in the name of the Father, and of the Son, and of the Holy Spirit" (Matt. 28:19). "But when the Advocate has come, whom I will send you from the Father, the Spirit of truth who proceeds from the Father, he will bear witness concerning me" (John 15:26).
  3. The Blessed Trinity manifested Itself at the baptism of Jesus Christ.God the Father spoke from the heavens; God the Son was baptized; God the Holy Ghost descended in visible form, in the form of a dove.
When do we profess our faith in the Blessed Trinity? -- We profess our faith in the Blessed Trinity especially when we make the sign of the cross.
  1. We also honor the Blessed Trinity every time we say the doxology or "prayer of praise": "Glory be to the Father, and to the Son, and to the Holy Ghost. As it was in the beginning, is now, and ever shall be world without end."The Feast of the Blessed Trinity, called Trinity Sunday, is kept on the first Sunday after Pentecost.
  2. All the sacraments are administered in the name of the Blessed Trinity.On our death-bed the Church through the priest will comfort us with the words: "Even though he hath sinned, he hath not denied the Father, the Son, and the Holy Ghost."

The Most Holy Trinity.



A good concrete illustration of the Blessed trinity is an equilateral triangle. Such a triangle has three sides equal in every way, and yet distinct from each other. There are three sides, but only one triangle. As we see in this illustration, each Divine Person is different from the other two, but all three are God. Each one is God, distinct from the two others, and yet one with them. The three Persons are equal in every way, with one nature and one substance: three Divine Persons, but only one God.




11. One God in Three Persons
Is there only one God? -- Yes, there is only one God.
"I am the first, and I am the last, and besides me there is no God" (Is. 44:6). There can be only one God, because only one can be supreme, all-powerful, and independent of all.
How many Persons are there in God?-- In God there are three Divine Persons -- the Father, the Son, and the Holy Ghost.

  1. In speaking of the "Persons" in God, we do not use the term in exactly the same way we use it when speaking of people. We use it only for lack of a word to show our meaning better.In speaking of a man as a "person," we mean that he is an intelligent being, acting individually for himself. The acts he performs belong to him and he is responsible for them -- he himself, not his tongue, nor his mind, nor his whole body even, but the whole of himself.
    We speak of three "Persons" in God because to each belongs something we cannot attribute to any other: His distinct origin.
    From all eternity the Father begets the Son, and the Son proceeds from the Father. From all eternity the Father and Son breathe forth the Holy Ghost, and He proceeds from Them, as from one Source.
Are the three Divine Persons really distinct from one another? -- The three Divine Persons are really distinct from one another.
"So there is one Father, not three Fathers; one Son, not three Sons; one Holy Ghost, not three Holy Ghosts. And in this Trinity nothing is afore or after, nothing is greater or less; but the whole three Persons are co-eternal together, and co-equal. So that in all things, as in aforesaid, the unity in Trinity, and the Trinity in unity is to be worshipped.'' (From the Athanasian Creed.)

  1. This is the simplest way by which the distinct origin of each Divine Person has been explained: God is a spirit, and the first act of a Spirit is to know and understand. God, knowing Himself from all eternity, brings forth the knowledge of Himself, His own image. This was not a mere thought, as our knowledge of ourselves would be, but a Living Person, of the same substance and one with the Father. This is God the Son. Thus the Father "begets" the Son, the Divine Word, the Wisdom of the Father."In the beginning was the Word, and the Word was with God; and the Word was God" (John 1:1).
  2. God the Father, seeing His own Image in the Son, loves the Son; and God the Son loves the Father from all eternity. Each loves the other, because each sees in the other the Infinity of the Godhead, the beauty of Divinity, the Supreme Truth of God. The two Persons loving each other do not just have a thought, as human beings would have, but from Their mutual love is breathed forth, as it were, a Living Person, one with Them, and of Their own substance. This is God The Holy Ghost. Thus the Holy Ghost, the Spirit of Love, "proceeds" from the Father and the Son."But when the Advocate has come, whom I will send you from the Father, the Spirit of truth who proceeds from the Father, he will bear witness concerning me" (John 15:26)
  3. But we are not to suppose that once God the Father begot the Son and now no longer does so, nor that once the love of the Father and the Son for each other breathed forth the Holy Ghost, but now no longer does. These truths are eternal, everlasting.God the Father eternally knows Himself, and continues to know Himself, and thus continues to bring forth the Son. God the Father and God the Son continue to love each other, and their delight in each other continues to bring forth the Spirit of Love, God the Holy Ghost. In a similar way, fire has light and color. As long as there is fire, it continues to produce light. As long as there is fire with light, there is produced color. But all three exist at one and the same time.
  4. In this imperfect way we vaguely see that God must necessarily be three Divine Persons, because only in that way can God with His Divine Knowledge and Will be complete in Himself.Our Lord Jesus Christ spoke to us of the Blessed Trinity when before the Ascension He said to His Apostles: "Go, therefore, and make disciples of all nations, baptizing them in the name of the Father, and of the Son, and of the Holy Spirit" (Matt. 28:19)
What do we mean by the Blessed Trinity? -- By the Blessed Trinity we mean one and the same God in three divine Persons.

  1. The Father is God and the First Person of the Blessed Trinity. Omnipotence, and especially the work of creation, is attributed to God the Father.God the Father could have created millions of beings instead of you yourself; but He chose you out of a love wholly undeserved, saying, "I have loved thee with an everlasting love" (Jer. 31:3). Let us then cry in thanksgiving, "Abba, Father!" (Rom. 8:15). Let us show our gratitude by avoiding all that could displease God the Father, by trying to please Him with virtue, by trying for greater perfection, in obedience to that injunction of Our Lord's: "You therefore are to be perfect, even as your heavenly Father is perfect" (Matt. 5:48)
  2. The Son is God and the Second Person of the Blessed Trinity. To God the Son we owe our redemption from sin and eternal death; by His death He gave us life.For us God the Son debased Himself, taking the form of a servant, ... "becoming obedient to death, even to death on a cross" (Phil. 2:8). In Holy Communion we are united with Him, for He Himself said; "He who eats my flesh, and drinks my blood, abides in me and I in him" (John 6:57). In return we should be "other Christs," and, as the Apostle urged, "walk even as He walked."
  3. The Holy Ghost is God and the Third Person of the Blessed Trinity. He manifests Himself in us particularly in our sanctification. The word "Ghost" applied to the Third Person means "Spirit."At our Baptism God the Holy Ghost purifies us from all sin and fills our souls with divine grace, so that we become truly children of God, sons and heirs, and co-heirs with Jesus Christ. By Baptism we become living temples of the Holy Ghost: "Or do you not know that your members are the temple of the Holy Spirit, who is in you?" (1 Cor. 6:19).
    In return for such benefits we should make our body the instrument for the glory of God, keeping it from all stain of sin, adorning it with virtues. "Glorify God and bear him in your body" (1 Cor. 6:20). Let us keep our souls a sanctuary for the Holy Spirit, that God may be happy to dwell in us.


http://www.catholicbook.com/AgredaCD/MyCatholicFaith/mcfc011.htm

sábado, 1 de junho de 2013

Como deve ser o Noivado.



O Noivado 29 de julho 2007


Todo jovem, num determinado momento da vida, coloca-se a questão do caminho a escolher para o futuro. Há perguntas que a natureza e o próprio Deus impõem à alma e esta deve responder: Que rumo tomará minha vida amanhã? De que maneira concreta vou servir a Deus? Qual será de fato o caminho pelo qual vou me salvar?

Perguntas obrigatórias, às quais cada um - homem ou mulher - deve responder sozinho, diante de Deus, em certo momento da vida. Decisão muito pessoal em que está em jogo sua vida, sua salvação.

Ninguém pode substituí-lo nessa tarefa, nem pais, nem irmãos, nem amigos, nem psicólogos ou psiquiatras, nem sequer seu confessor.

Claro que ele pode e deve pedir conselhos. Mas a decisão é pessoal, perante Deus. Por isso é bom fazer um retiro, para descobrir o estado de vida ao qual Deus nos chama.

Não se trata de escolher uma profissão: advogado, médico, comerciante, empresário, desportista ou costureira...

O estado de vida é algo muito maior, mais delicado, porque implica uma certa imobilidade, é algo permanente, dificilmente passível de mudança, que implica um modo determinado de viver as coisas que são fundamentais na vida. E de certo modo algo definitivo em termos pessoais, diante da sociedade e perante Deus.

Por isso, a decisão precisa ser sincera, generosa, tomada com seriedade.

Os caminhos que se apresentam antes dessa decisão são vários: formar uma família, isto é, o matrimônio; entrar em um convento, abraçando a vida religiosa; fazer-se sacerdote, ou seja, seguir a vocação sacerdotal se for homem; enfim, permanecer como está, isto é, solteiro, que também pode vir a ser uma verdadeira vocação.

Nestas palestras não se trata de considerar nenhuma dessas hipóteses; vamos nos ocupar de outro assunto, também muito importante por tudo o que acarreta: o noivado.

Certamente, o noivado não é um estado de vida, porque não é algo permanente (apesar de sempre terem existido e continuarem a existir os "noivos eternos"). Noivar não é escolher uma vocação (mesmo que pareça haver pessoas que o considerem como uma vocação e nunca se decidam a passar do noivado às responsabilidades do matrimônio).

O noivado supõe que a escolha do estado de vida já tenha sido feita: ou seja, que já se tenha escolhido o casamento depois de um exame sério e maduro, numa decisão muitíssimo pessoal (mesmo tendo sido necessário pedir conselhos aos pais, ao confessor...) diante de Deus, da família e da própria sociedade, ainda que a decisão permaneça no íntimo do coração.

Antes de penetrarmos no nosso tema, acrescentemos algumas considerações sobre a escolha do estado de vida para que vejamos que se trata de algo importante, que deve ser obrigatoriamente pensado com seriedade por todos os jovens.

A vocação para um estado de vida (qualquer um dos que mencionamos: matrimônio, vida religiosa, sacerdócio, inclusive o celibato) é um chamado de Deus, é uma graça.

Se Deus chama, tem suas razões e concederá as graças necessárias. Além disso, uma vez dada a vocação, Deus jamais vai retirá-la, a menos que sejamos incapazes ou indignos dela.

Para conhecer a vocação deve-se consultar a Deus, ao confessor, a si próprio, considerar suas inclinações e capacidades. A escolha do estado necessita de muita oração, e uma vez que se viu claramente o que Deus quer, uma decisão irrevogável deve ser tomada.

Aqui estamos em nosso assunto. Alguém pode dizer-me: "Padre, eu estou certa de que Deus me chama ao matrimônio, mas não aparece o noivo...".

Cabe aqui uma primeira advertência, um primeiro princípio por assim dizer, sobre o noivado: dizendo que estou seguro de que Deus me chama ao matrimônio porque meditei, consultei, rezei e considerei as diferentes possibilidades, isso significa que já tenho idade suficiente e que decidi meu estado de vida.

É absurdo e antinatural o namoro em tenra idade. Isso só causa danos à alma, muitas vezes irreparáveis. Quantos pais felicitam seus filhos ainda em idade escolar porque já estão namorando, sem dar-se conta da responsabilidade que têm e dos pecados que fomentam ao permitirem nessa idade namoros tão fáceis.

Retomaremos o assunto da idade mais à frente.

Façamos aqui uma advertência: em geral, a mulher "espera" o noivo e não sai para "buscá-lo" e há quem espera por muitos anos, como as "senhoritas" de oitenta e poucos...

Algumas jovens têm verdadeira fobia de permanecerem solteiras. O conselho é não desesperar, não cair em inquietudes excessivas, nem angústias. Vivendo nesse medo contínuo de não encontrar noivo, acabam afastando de si, sem querer, aquele que poderia ser o esposo destinado por Deus para elas: por que? Porque quando se encontram com um possível "candidato" manifestam tanta excitação e dão tantas manifestações de "querer" casar-se, que os jovens acabam julgando-as superficiais, fingidas, afetadas ou meio levianas. Resumindo, a única coisa que conseguem é fazerem-se menos respeitadas, menos capazes de despertar um verdadeiro amor.

Uma conduta mais discreta, mais prudente, mais cristã favorecerá com mais êxito o cumprimento de suas expectativas, de seus desejos.

Mas às vezes, a juventude vai passando e começam a aparecer os cabelos brancos da velhice e continua-se esperando...

Em todo caso, a "espera", que termina em matrimônio ou decepção, é um período crítico que algumas mulheres devem atravessar.

A mulher, nesse caso, deve pensar, cristãmente, que não está nesta vida para "casar-se" mas para ganhar o céu, para conseguir a felicidade eterna.

Por que então se preocupar e talvez fazer loucuras em relação ao que é somente uma maneira, um meio, uma vida entre tantas que Deus oferece para chegarmos a Ele?

O que quero dizer é que Deus talvez queira prová-las neste estado de "espera" durante toda a vida...

O Cardeal Goma, primado da Espanha durante a guerra civil espanhola, dizia sobre o tema: "consulte, interrogue, reze a Deus, espere: o noivo chegará a seu tempo. Se não chegar, não sofra: é que talvez a senhorita sofreria mais se ele viesse. E Deus e seu anjo da guarda querem livrá-la de uma vida amarga".

Se entendermos estas verdades, abraçaremos com entusiasmo a vida escolhida por Deus, que pode até vir a ser o sacrifício da "vocação matrimonial" e nos preocuparemos em cumprir a "vontade divina do momento presente", até o dia em que, cedo ou tarde, um novo chamado nos encaminhe para uma nova vida..., a verdadeira vida, a vida eterna.

Vamos então entrar em nosso tema, o noivado: sua natureza, condições, duração, etc.

Vamos nos casar. Deus nos chama para colaborar em sua obra criadora por meio deste sacramento tão grande, por meio deste estado de vida que é o matrimônio.

Vamos nos casar com o primeiro que se apresentar a nós? O primeiro homem que nos diga coisas lindas será nosso marido, nosso esposo por toda a vida? Meu futuro marido deve ser um bom moço, endinheirado e capaz de satisfazer todos os meus gostos? Ou quem sabe não seria melhor experimentar, namorar um tempo com um, depois com outro e outro?

Essas perguntas, em geral muito mal respondidas, indicam que pouco ou nada sabemos sobre o que é o noivado, que pouco ou nada sabemos sobre o que diz a Igreja sobre isso: o noivado deve ser sempre santo...

Em tempos passados, o assunto "noivado" era considerado com mais severidade. Os costumes de nossos avós e tataravós não são mais os de nossa época: a preparação para o matrimônio, a própria escolha do futuro esposo(a), dependiam mais dos pais do que dos próprios interessados, tornando desnecessário o encontro freqüente entre os noivos...

Hoje em dia, esses costumes desapareceram, mas os princípios morais que devem ser respeitados, não.

Vejamos então o que é o noivado, com quem se pode noivar, como deve ser o noivado, quando noivar, quanto tempo...

Que é o noivado?

Certo autor, querendo explicar em que consistia o noivado, começou por dizer o que ele não era:

* não é o recurso mais eficaz contra a monotonia, a chateação, porque para isso existem remédios especiais mais baratos, com mais garantis e mais agradáveis. E sobre esse ponto acrescentava: "se te aborreces, pelo amor de Deus, não recorras ao amor artificial porque, como o cristal, o aço e o alcantil artificiais, é tudo mentira e se acaba logo..."

* tampouco é o prêmio que se dá aos jovens aprovados no vestibulares. Esta aprovação dá o direito ao novo universitário de reclamar do irmãozinho que chateia porque quer jogar com ele, - "que praga que você é, não te metas com os grandes", ou para a avó que o olha abobada e orgulhosa - "a Faculdade é uma chateação", porém não concede o direito de ter uma noiva no sentido verdadeiro da palavra. Normalmente o que acontece é que ele ou ela se "estupidificam" pensando o dia inteiro um no outro, respondendo à mãe com monossílabos quando esta lhes pergunta algo. Ah! Humm! Riem às gargalhadas com as palavras do príncipe encantado que lhes chegam por meio daquele aparelhinho chamado telefone que concentra sua atenção durante muito de seu tempo.

O noivado também não é um castigo de Deus para os que não conseguem passar no primeiro ano de faculdade. Deus castiga os vadios, mas nunca tão duramente. Se não foi aprovado no primeiro ano, tenha piedade de si e recorra ao estudo..., dizia o autor.

O noivado, concluía ele, é algo como um contrato entre um rapaz e uma moça que pretendem fazer uma sociedade, edificar/comprar/alugar uma casinha/apartamento, enchê-las de filhos e complementar-se como as duas metades de uma laranja (em São Paulo: como a panela e sua tampa; como a mão e a luva) por "secula/seculorum".

A coisa é séria. Podemos dizer que o noivado é um estado preliminar ao matrimônio, uma familiaridade e conversação contínua entre um homem e uma mulher a fim de preparar-se para um futuro casamento.

Etapas prévias

As coisas grandiosas não acontecem num só dia. Precisam de tempo, de preparação, de etapas. A vida conjugal é uma dessas coisas grandiosas; portanto, é preciso chegar a ela passo a passo.

Esta preparação começa na adolescência. Não é ainda o noivado, mas a maneira com que se tratam jovens de um e outro sexo...

Este contato é natural e necessário não somente para conhecer o outro sexo, mas para conhecer-se a si mesmo, para estudar suas próprias reações e atitudes com os demais.

Uma evolução normal de qualquer jovem necessita desse contato. A partir de que idade? Desde os dezessete anos aproximadamente.

Este contato, especialmente no início, deve ser em grupos, não em particular, a sós.

"Se não queres fazer-te desgraçada - afirmava um sacerdote num livro dedicado às adolescentes - até que atinjas a idade conveniente... segue este conselho: "todas com todos e com ninguém". E acrescentava: "E não te esqueças: que tua mãe sempre saiba de tudo e conta tudo a ela".

Além disso, para que essas reuniões sejam efetivas, para que ajudem à própria formação e evitem perigos, não devem ser motivadas pelo simples encontro ou entretenimento mútuo. É melhor que tenham outro fim, como cultural, beneficente, etc.

Por que? Porque em tais circunstâncias, os jovens deixam transparecer facetas de sua personalidade e surgem mais motivos para conhecer-se. Caso contrário, pode se tratar somente de "causar boa impressão" e para isso "camuflar" elementos importantes de sua maneira de ser...

Em grupo, é inevitável que se dê a conhecer os aspectos de seu modo de ser. As intervenções, responsabilidades, pequenas colaborações e demais circunstâncias, permitem que se vá conhecendo a personalidade, o caráter, capacidades de cada um, pois essas atividades fazem com que esteja ali para algo além de "ser visto"...

Encontrando-se

Mais tarde, um jovem e uma jovem começam a encontrar-se. Encontrar-se não é o noivado, mas pode ser um prelúdio...

Aqueles que começam a encontrar-se, só como amigos, devem estar convencidos de que isso não lhes dá nenhum direito a nada e que, além disso, não se trata de uma diversão ou de uma brincadeira, mas de algo mais sério.

Esta etapa é lícita contanto que haja motivos honestos e dignos e não se trate de pura "diversão", passatempo ou namoricos. Essa intenção desvirtuada transformaria as saídas num "jogo falso", que além de graves conseqüências morais, pode acarretar graves conseqüências psicológicas.

A reta intenção permite que seja um período de muita formação, pois dá ocasião para exercitar a sinceridade, a nobreza, a generosidade, a delicadeza. Também é ocasião de prova de moralidade e força de vontade...

Permite um conhecimento mútuo em vista de uma futura relação mais duradoura, o noivado. Mas isso deve ser feito com prudência: não é bom passar tão depressa a esse estado mais formal e próximo ao casamento.

Também é importante saber que, se tais encontros começaram com nobreza, sinceridade, lealdade e valor, também devem terminar com a mesma nobreza, sinceridade, lealdade e prontidão, separando-se caso vejam que esse relacionamento não deva continuar... Inclusive é um dever "romper" antes que o coração se tenha entregado demais ou possa causar em um dos dois, ou em ambos, feridas consideráveis.

Está subentendido que a lealdade, a delicadeza, obrigam a uma especial discrição e segredo recíproco acerca das confidências mútuas que se possa haver...

Brincar de amor

As brincadeiras de amor, os "namoricos" como se chamavam antigamente essas relações superficiais, sem profundidade, sem intenção alguma de casar-se, puramente sensuais e sentimentais, são sempre condenáveis. A vida não pode queimar-se no fogo de um amor por passatempo.

É o amor sem compromissos nem responsabilidades; é o tobogã para os pecados graves contra a pureza; é abrir as portas para as ocasiões mais abomináveis e afastadas do verdadeiro amor cristão que diz respeito a compromissos definitivos, sacrifícios, renúncias, dom verdadeiro de si mesmo.

Esse tipo de namoro sem compromissos é a caricatura do amor de acarreta os piores males, destrói a verdadeira capacidade de amar e deixa suas feridas psicológicas de frustração, desencanto e amargura.

Muitas vezes também danos morais irreparáveis, ou talvez, a "surpresa" de um filho, fruto de aventuras que nunca deveria ter sido imaginadas.

E as mais prejudicadas são as mulheres, não os homens.

Os homens, levados por suas paixões, gostam desses namoros. Mas na hora da verdade, quando encontram uma moça enérgica que se recusa a estas "brincadeiras", mesmo que no momento fiquem aborrecidos, passam a ter particular respeito, admiração por ela e as apreciam muito mais.

A mulher, por sua natureza, por sua sensibilidade, se crê amada, sonhou ilusões e tudo termina em uma brincadeira que destroça seu coração. E se isso acontece não só uma, mas várias vezes, além de tornar-se incapaz de amores superiores, seu caráter se crispa, seu humor se modifica e ela se torna triste e insegura.

Deve-se fugir então deste tipo de relações, muito fáceis hoje em dia nos ambientes de estudo, de trabalho nos escritórios, nas empresas, como secretárias, empregadas, etc., que colocam a jovem em contato permanente com rapazes, na maioria das vezes, pouco dados a cumprir com seus deveres de cristão e quase sempre mal intencionados!

Um bom conselho: nada de conversações sentimentais, nada de intimidades e confidências de nenhum tipo, nada de carinhos com homens com quem mais tarde não poderá se casar. Não tenha intimidades a não ser com aquele jovem com o qual pensa e pode casar-se.

Saíram juntos... e então...

O noivado

Não é feminino tomar a iniciativa nas declarações de amor...

Fazê-lo descaradamente provoca no homem o complexo de ter sido "fisgado". A arte da mulher é fazer-se escolher. Insinuar, oferecer-se descaradamente, rebaixa o valor da mulher. O homem gosta de conquistar e não de ser conquistado, agarrado como um passarinho. Está na natureza das coisas...

Mas isso não quer dizer que a jovem deva ficar em casa esperando pelo príncipe encantado...

Deve-se fugir dos dois extremos: do oferecimento explícito que mais parece o de uma mulher mundana, e da permanência doentia em casa, como um fungo na sombra... A naturalidade de uma vida cristã oferece múltiplas ocasiões para conhecer e encontrar jovens com quem se casar.

Para casar-se, é indispensável amar-se; para amar é preciso conhecer-se; para conhecer-se é necessário conversar; para conversar há primeiro que se encontrar.

O autor que citávamos acima, que falava de um contrato bilateral entre o rapaz e a moça, dizia que a verdadeira moça se distingue por duas características: a primeira, é que ri somente a metade de quanto riem as outras e a segunda é que diz "não" às cinco primeiras declarações de um rapaz.

Onde encontrar um noivo

Surge então o assunto de onde encontrar, onde conseguir um noivo. Isto parece algo que provoca riso, mas tem muita importância e é coisa séria.

Lembro-me de que no colégio dos irmãos maristas, onde cursamos nossos estudos primários e secundários, quando o último ano estava terminando, um velho e experiente irmão nos deu um conselho para nos ajudar em nossa vida futura: "não busquem noiva na rua..."

Esse é o lugar onde se abordam facilmente as mulheres que hoje estão nos braços de um e amanhã nos de outro.

A jovem que aceira as insinuações de um desconhecido que lhe fala na rua, por mais interessante ou sério que pareça, não vale nada, não tem apreço por si mesma, nem por sua alma...

As reuniões familiares onde estão presentes amigos dos irmãos, os encontros na paróquia, nos priorados, nas casas de famílias católicas, hoje as tradicionalistas, podem ser boa ocasião para conhecer-se mutuamente.

Cuidado com os "amigos" do trabalho, da universidade, que estão em busca de aventuras e não pensam e não são tradicionalistas!

Com quem "noivar"

Surge aqui um assunto da escolha pessoal do(a) noivo(a).

Não nos deixemos seduzir pela habilidade do rapaz em cumprimentar, em pronunciar palavras que nos agradem. Raciocinemos, busquemos as condições que deve possuir aquele que será nosso futuro esposo, pai de nossos filhos. Condições sem as quais não se pode aceitar um compromisso matrimonial e portanto, um noivado.

O Papa Pio XII dizia com razão "Um afeto mútuo, nascido da simples inclinação de um para o outro, ou de um mero apreço pelos dons humanos que se descobre num e noutro, tal afeto, por mais belo e profundo que se mostre, ... não é suficiente nem pode garantir a união das almas. Somente a caridade sobrenatural, vínculo de amizade entre Deus e o homem, pode fazer laços que resistam a todas as sacudidas, a todas as vicissitudes, a todas as provas inevitáveis de uma longa vida conjugal. Somente a graça divina pode elevar-nos acima de todas as pequenas misérias quotidianas, de todos os contrastes ou desigualdades de gostos, de idéias, que crescem como erva daninha nas raízes da pobre natureza humana".

Devem ser exigidas outras condições que não sejam a beleza física, as qualidades humanas.

Estas condições pessoais devem ser descobertas durante o noivado. Por isso é lícito, e mesmo necessário que os noivos falem entre si, se encontrem sozinhos para se conhecerem melhor. Mas a prudência e a conveniência reprovam as longas conversas a sós e fora da casa paterna. Um sábio conselho cristão diz aos noivos: "Fale com seu noivo onde não os ouças, mas onde os vejam".

Nestas conversas, cada um deve ir formando uma idéia mais completa do caráter, dos dons morais, psíquicos e mesmo físicos do futuro consorte e deve também provar com a prática - por meio das conversas, do tratamento recíproco - a possibilidade de adaptar-se a seu modo de ser.

"Por acaso não é de suma importância para dois noivos assegurarem-se de que seus modos de vida são tais que possibilitam estar de acordo e chegar a uma harmonia?" (Pio XII, discurso de 12/11/1941).

O Pe. José M. de Llanos, falando sobre o noivado, ressalta que essas relações são cristãs quando "projetam, isto é, quando atendem mais ao dia de amanhã do que ao de hoje. Os noivos não só devem se divertir, mas devem projetar como se divertirão no futuro; que não só conversem, mas pretendam conversar sempre; não apenas se amem, mas queiram amar-se durante toda a vida. A esperança do amanhã é sua preocupação e seu alimento e, nas ocasiões perigosas, "esfria" os possíveis calores ameaçadores".

O matrimônio requer em ambos os esposos um propósito de colaboração. O propósito que não se aprende nos livros, mas é ensinado pelo coração, que ama a concordância das vontades e o concerto no governo e no andamento do lar; propósito que é afeição recíproca, atenção e solicitude mútua em relação ao lar comum; propósito que observa para aprender, que aprende para fazer, que faz de tudo para ajudar o outro (ou a outra). Isso existe uma mútua e lenta educação e formação conjugal, necessária para que duas almas que se amam reciprocamente cheguem à realização de uma verdadeira e íntima colaboração.

Esta harmonia que se deve alcançar no matrimônio e durante a vida conjugal, nos mostra, antes de mais nada, que, para permanecerem de acordo, é imprescindível que durante o tempo do noivado, os noivos se conheçam o melhor possível. É claro, pois as pessoas que provêm de famílias que, mesmo sendo semelhantes, não são idênticas, possuem maneiras diferentes de pensar, de atuar, e de tratar-se.

O Papa Pio XII dizia: "[É necessário], durante o tempo do noivado, investigar, discernir, de circunstância em circunstância, as virtudes e defeitos, as capacidades e as deficiências, não para criticar e brigar ou para dar preferência a seu modo de ser, (...) mas para dar-se conta do que se pode esperar, do que um cônjuge talvez terá de compensar ou suprir" (Discurso de 18/03/1942).

Em outra ocasião acrescenta: "Como os fogos de artifício encantam a vista nas noites de verão, o amor nascido de uma explosão pode facilmente extinguir-se com ela, reduzindo-se a vã fumaça. Pelo contrário, o amor verdadeiro e durável, como o fogo doméstico, afunda-se em minuciosas atenções e constantes vigilâncias e se sustenta não somente com as grossas lenhas que se consomem silenciosa e lentamente sob a cinza quente, mas também com os raminhos miúdos que crepitam alegremente com seu estalido e suas centelhas" (Discurso em 24/01/1940).

"Os noivos não podem se deixar levar por entusiasmos passageiros, porque logo aparecem os desenganos que já não têm mais remédio. A coincidência de crenças, sentimentos e tradições valem mais do que o amor à primeira vista, a repentina emoção do coração" continua Pio XII.

Conformidade de crenças e tradições! (entre o noivo e a noiva).

Quão importante é prestar atenção neste sábio conselho do Sumo Pontífice!

O essencial, o primeiro a se levar em conta, é que nosso futuro esposo seja católico e convicto, praticante. E católico tradicionalista. E se for piedoso, melhor ainda.

Estas condições não são fáceis, com certeza, mas nossa fé está em jogo e, quem sabe, nossa salvação eterna também. Vocês são jovens, casadoiras, (prontas para se casar e desejosas) e tradicionalistas. Creio não ser necessário discorrer sobre o que isso significa, mas consideremos a hipótese de noivar com um rapaz não tradicionalista.

Entra em jogo a prática da fé, a assistência à missa tradicional, o batismo, a educação católica dos filhos, etc. Em suma, está em jogo a própria salvação por fidelidade ao dever de estado.

Ele pode dizer: "vou deixar-te em liberdade para praticar tua religião, mas te advirto de antemão que eu não te seguirei na prática".

Existem duas possibilidade: ou ele cumprirá ou ele não cumprirá sua promessa.

Suponhamos que o marido seja fiel à palavra dada durante o noivado: ver-te-á rezar o terço e ele não rezará; ver-te-á ir à missa e ele não irá ou irá à missa nova; poderão falar de tudo, menos sobre o mais importante e interessante para ambos... Quantos sofrimentos! E além disso, quantos perigos!

Pouco a pouco pode acontecer que a senhora se vá contagiando com seu espírito, com seu catolicismo liberal, sem dar-se conta, insensível, paulatinamente. Talvez a fé de ambos resista, mas perderá vigor, energia e fervor, até cair na indiferença. Não morrerá, mas decairá como uma chama que não é alimentada ou que carece do ar necessário para se manter e crescer... Hoje por um motivo, amanhã para evitar uma discussão. Desse modo, logo os filhos insensivelmente se colocam do lado paterno...

E caso aconteça o contrário? E se ele não cumprir a promessa? Não é uma hipótese que devamos desconsiderar. Ao contrário! É uma realidade mais freqüente e pior que a primeira!

E nesse estado, quem poderá nos assegurar de que não perderemos a fé?

No começo deixar-te-á assistir à missa, comungar, mas um dia virá a proibição... E então, poderão talvez, por um tempo, continuar assistindo à missa às escondidas, mas esse caminho é muito difícil de percorrer, de se permanecer nele: o medo, o incômodo, a impossibilidade, a falta de ocasião irão sufocando a fé na alma, até que se abandona Deis para obedecer aos caprichos de um homem.

E, tratando-se de um homem que não pratica, maiores são os perigos e dificuldades!

Quando as senhoras descobrirem num rapaz esta condição essencial de jovem católico tradicionalista e praticante, não deixem de procurar também as demais qualidades necessárias para um bom esposo: suas qualidades morais, sua seriedade e sobriedade, seu espírito de trabalho, suas idéias, seu caráter e gostos, seu modo de ser, costumes, educação e até a posição social, quem são os que constituem "sua família"...

Por isso, com muita razão, o Catecismo Romano ensina que não se deve reprovar aqueles que, para escolher o esposo(a), acrescentam às causas primeiras - a procriação dos filhos - outras, que induzem os homens a preferir uma mulher a outra (ou vice-versa: a mulher preferir um homem a outro). Que se tenha em conta: "... as riquezas, a beleza, a nobreza de linhagem ou a igualdade de costumes. Nada disso repugna à santidade do matrimônio".

Durante esta etapa de conhecimento mútuo, devem trocar idéias sobre diversos aspectos da vida, sobre os filhos, a família, a moral conjugal e até posições políticas, sociais. Se no noivado houver discórdia sobre isso, no matrimônio haverá desgostos muito mais graves...

A falta de harmonia e os defeitos do caráter devem ser compensados por um lado com um espírito de mortificação e tolerância e por outro com o desejo sincero de corrigir-se: estou disposta a isso; está ele disposto também?

Há graus nessa busca da harmonia, é claro. Mas quanto maior for a harmonia, mais probabilidade há de se constituir um casamento feliz.

O ideal é que esta harmonia alcance detalhes como gostos, afeições, diversões, hábitos de vida, educação, limpeza, ordem, costumes, linguagem, etc.

Uma advertência importante: devido a uma tendência psicológica, muito natural e ingênua, pelo desejo de obter o objeto amado, antes do matrimônio, acontece que todos os seres, tanto eles como elas, em maior ou menor grau, arredondam suas arestas, se dobram à exigências do outro, dissimulam seus defeitos. Mas uma vez alcançado o ser amado, os caracteres se apresentam tal como são na realidade. Deve-se levar isto sempre em conta para não cair em engano.

Ajudados pela graça, pela oração e conselho do confessor, os noivos devem buscar pois, durante esse tempo de preparação que é o noivado, um no outro, as virtudes que serão as bases da vida do lar.

Algumas perguntas podem ser úteis nesta tarefa:

A senhora tem certeza de que o casamento com este jovem não será obstáculo para que viva na graça de Deus e cumpra todos seus deveres para com Ele, que é a suprema aspiração que a senhora deve ter?

A senhora e ele têm os mesmos princípios morais nos assuntos fundamentais da vida matrimonial, familiar, pessoal; os mesmos desejos e afetos?

Têm centros de interesse comum, ou os gostos de cada um são absurdamente opostos e se chateiam mutuamente com as coisas que interessam ao outro?

Acha que nunca e por ninguém mais - a não ser Deus - a senhora poderá sentir um amor maior do que o que sente agora por ele?

Acha que a firmeza do amor que sente agora não diminuirá com o tempo à medida que vá conhecendo a pessoa amada? Pelo contrário, aumentará cada vez mais à medida que o conhece melhor?

Está disposta a entregar-se totalmente, tem o desejo de fazer feliz a pessoa que ama ou vai casar-se buscando a sua própria felicidade?

A senhora possui paciência suficiente para compensar as suscetibilidades, para superar os possíveis defeitos de seu futuro cônjuge?

Depois de casada, terá necessidade da presença de outros amigos para não se chatear ou a presença de seu marido bastará para contentá-la?

Acha que se o matrimônio passar por uma tribulação (pobreza, enfermidade) ele lhe ajudará a aceitar a situação com resignação cristã?

Encontra nele virtudes e qualidades que lhe despertam admiração e lhe dão ânimo para ser melhor?

Domina seu gênio? Tem espírito de trabalho?

Simpatiza com sua família?

Tem modos ou expressões que lhe atacam os nervos?

Está disposta a tolerar suas faltas? E ele, as reconhece e demonstra boa vontade em corrigir-se?

Aceita seus erros ou se empenha sempre em ter a última palavra?

É compreensivo com o próximo ou sempre faz questão de brilhar?

Nada é perfeito neste mundo. Porém todos devem ter grandes desejos de se superar, de chegar à santidade. E o esforço mútuo, o apoio de um para o outro nesta tarefa, cheia de compreensão e caridade, é uma das maiores alegrias da vida conjugal.

O noivado deve santificar mutuamente os noivos, como tudo na vida cristã, porque se não, não serve...

Por isso, nem tudo é permitido no noivado.

O que é permitido, o que é proibido

Entramos aqui num tema delicado, no qual deve-se prestar muita atenção.

Em um mundo que permite tudo, que tudo consente, a jovem católica deve ter bem claro o que se pode e o que não se pode fazer com o noivo durante o noivado.

Um princípio geral que esclareceremos aos poucos, nos diz que: "são lícitos aqueles atos que segundo os costumes católicos de uma região são comuns entre os noivos".

Um primeiro aviso é que os noivos têm, durante seu noivado, os mesmos direitos que todos os solteiros, particularmente no que toca à pureza.

Podem ver-se com freqüência e falar-se sozinhos, mas sempre onde sejam vistos.

Podem dar-se mostras de amizade fraterna: os noivos não são duas pessoas desconhecidas e certas demonstrações de afeto e amor são permitidas.

Quais? "Aquelas que uma irmã tem com um irmão, e mesmo assim, com maior reserva", nos diz um autor que fala sobre o assunto.

Que haja prudência, dignidade, respeito e nobreza no trato mútuo.

Ser como um anjo da guarda para o noivo; tenham certeza de que se o noivo é católico e ama verdadeiramente a sua noiva, agradecer-lhe-á que se mantenha a certa distância.

Rezar e comungar juntos é uma grande ajuda para conservarem-se puros, para vencer as tentações. Os noivos verdadeiramente católicos devem dar sempre contas a Deus de todos os atos de sua vida, particularmente naqueles momentos, naquelas horas solenes que pretendem construir, fundar as bases de um futuro lar.

Conhecer-se, tratar-se intimamente com plena confiança não significa que são permitidas certas "confianças e intimidades". A graça de Deus não pode estar ausente da relação entre os noivos; o noivado só pode existir na graça de Deus. Isso é entesourar bênçãos do céu para o matrimônio.

Os noivos podem dar-se demonstrações de carinho, de afeto, mas sempre castas.

A noiva deve estar convencida de que quanto mais pura e respeitosa seja sua conduta durante o noivado, maiores serão as garantias de ter um casamento indissolúvel, tranqüilo e amoroso.

Por isso é preciso ter muito cuidado nas demonstrações de afeto e de amor que nem de longe podem ser comparadas ao que acontece hoje, ao que nos mostram os romances, as novelas, filmes e inclusive a vida quotidiana que vemos na rua e até mesmo entre nossos conhecidos...

Os noivos ainda não são esposos. Muitas coisas que entre os esposos são permitidas, são pecados graves entre os noivos ou pelo menos ocasiões voluntárias de pecado, perigo de pecados graves, dos quais estão estritamente obrigados a afastar-se.

É muito difícil que os noivos que não são prudentes em suas manifestações de afeto permaneçam no limite das intimidades lícitas: uma carícia leva a outra maior; um beijo leva a outro mais prolongado, apaixonado...

Sobre este assunto dos beijos: eles são indiferentes em si; portanto, tudo depende da intenção ou influência que tenham no instinto sexual e o perigo em consentir em excessos desse instinto. Por isso, quando o beijo é uma demonstração lícita de afeto casto, ele é permitido como sinal de amor cristão, segundo S. Afonso. Quando se busca o deleite sensível que o beijo produz, o beijo torna-se um pecado - e grave, nos ensina o Magistério da Igreja -, mesmo que se exclua o perigo de consentimento.

É por isso mesmo que a moral católica ensina que os beijos na boca são pecado mortal por ser lugar sumamente excitante, e que os beijos demorados, repetidos com freqüência, dados entre pessoas de sexos distintos, ordinariamente são pecados graves porque levam consigo grande perturbação. Além disso, procedem de um afeto libidinoso (entre solteiros raramente têm outro motivo). Assim sendo, estão proibidos aos noivos.

O próprio Santo Afonso Maria de Ligório acrescenta que "aos noivos não são permitidos contatos impudicos", isto é, quando se busca o deleite sensual ou é feito nas partes menos honestas ou desonestas (torpes) do corpo do outro.

Assim, fica claro que os noivos que queiram conduzir a bom porto seu noivado, só lhes é permitido, com reta intenção, as demonstrações de afeto nas partes honestas no corpo (naquelas que segundo um são costume, sem ofensa do pudor, se expõem à vista de todos (o rosto, as mãos, etc.) E mesmo assim, se houver perigo de consentimento em deleites impuros, devem abster-se até destes.

"Muitas vezes é preferível renunciar às lícitas que arriscar-se a cair nas que são pecado".

Para que as carícias sejam inofensivas, convém que sejam breves, delicadas, e "dos ombros para cima".

Insistimos: se as carícias ou demonstrações de afeto levarem voluntariamente a um deleite carnal ou levarem voluntariamente e sem necessidade a um perigo próximo de provocar tal deleite, serão sempre pecado grave.

E haverá sempre a obrigação de resistir aos deleites que venham involuntariamente.

Na mulher, normalmente, as demonstrações de ternura só provocam doces afetos; porém, nos homens, muitas vezes se desencadeiam grandes paixões.

Certas familiaridades, certas concessões que para a jovem ou entre mulheres são inofensivas, freqüentemente podem perturbar mais ou menos gravemente os homens.

Por isso, em tudo o que é demonstração de afeto entre noivos, é principalmente a noiva quem deve orientar, pôr limites, ser recatada, recusando toda familiaridade que exceda o que permitiria a um irmão, ... a um amigo.

Existe essa diferença e as jovens católicas devem sabê-lo.

Devem saber também que certas atitudes (como postura, modas, vestidos), tatos (beijos e abraços), certas familiaridades que nelas produzem somente doces afetos e sensações lícitas, normalmente são para os homens fonte de violentos desejos, emoções, sensações, tentações e às vezes provocam graves quedas.

É claro que há modos, posturas, linguagem, atitudes e vestidos femininos que são permanentemente provocação à impureza dos homens.

"Por isso, a castidade da mulher exige um cuidado permanente com a castidade dos demais".

Quando uma jovem encontrar o homem que Deus lhe destinou, vão ambos à Igreja, ao Priorado e, de joelhos, ofereçam a Cristo sacramentado o desejo de manter um noivado casto, com relações puras, santas, pedindo as graças necessárias para preparar um lar feliz e católico. Que os dois cheguem ao altar sem ter que se envergonhar de nada durante este tempo de preparação para o matrimônio, comprometendo-se a ajudar-se mutuamente, a frear as tentações do outro com severidade e decisão, com firmeza...

Para que Deus lhes ajude há que ser prudente: quando se virem, que não seja em lugares solitários, mesmo na própria casa quando não houver ninguém; não freqüentem lugares inconvenientes, nunca saiam sozinhos de férias, para caminhadas, acampamentos, longos trajetos de carro. Os passeios solitários não devem ser permitidos. Nada de lugares solitários e escuros. Tudo isso é colocar-se voluntariamente em ocasião de pecado.

Sempre ver-se em lugares visíveis. A obscuridade e a solidão são sempre perigosas. As longas despedidas na escuridão dos saguões são ocasiões de graves quedas.

Umas das melhores defesas morais para o comportamento dos noivos são os olhos alheios que os estejam vigiando. O comportamento dos noivos deve ser tal que a qualquer momento possam ser vistos por seus pais.

Os projetos dos quais falávamos devem ser preparados e estudados em "sociedade", isto é, à luz do sol... uma mão da noiva na sua família, uma mão do noivo na dele, ambos juntos com seus bons amigos...

O Pe. de Llanos dizia sobre o assunto:" como a fruta da árvore, o matrimônio é um banquete em perspectiva. Se arrancamos a fruta antes que ela caia, estará verde; dessa cor estará o noivado que rompe as amarras sociais e busca a solidão antes do tempo. As amarras sociais que hoje parecem correntes, farão o amor amadurecer, assim como o cabo da fruta preso à árvore amadurece a sobremesa de amanhã. Espera. O noivado não é um estado perene, não é banquete que já pode ser saboreado". Quem come uma fruta que ainda não amadureceu, que está verde, sobre em seguida as conseqüências...

Mas muitas vezes o argumento que o demônio inspira é o de pedir uma "prova de amor".

Ele dirá que nos ama, que somos seu único e total amor, mas acrescenta: "você não me quer; parece que não lhe interesso, é tão fria comigo". Ataca os sentimentos para vencer a noiva; exige uma prova de verdadeiro amor..., de fazer o que só está permitido no casamento e para o qual Deus o instituiu. E muitas caem porque temem um dua serem abandonadas pelo noivo. Se ele lhes pedir essa "prova" tenham certeza absoluta que o sujeito não presta e que devem romper o noivado imediatamente.

Amor é sacrifício, renúncia, exercício constante e perfeito da virtude que por nada exige provas que ofendam a Deus e a vocês mesmas e que são somente demonstrações de egoísmo, paixão desordenada e sem freio. Quem não sabe colocar limites para si, dominar as paixões agora, não o fará depois. E então, quem sabe o quê pedirá e exigirá de vocês quando estiverem submissas pelo sagrado vínculo do sacramento?

Pois bem, querem uma prova certa do amor do noivo? Não lhe permita nenhuma demonstração que não permitiriam diante de seus pais, de seu irmão.

Se o amor do noivo dor verdadeiro, esta condição, esta prova, leva-lo-á a respeitar mais a noiva, a amá-la mais, a continuar o noivado. Se seu amor não é verdadeiro, é melhor perdê-lo: suas intenções não são retas nem honestas.

"Jovem católica - dizia um sacerdote - considere vagarosamente essas idéias:

Se lhe atrai sua beleza física: só isso não é amor, é admiração...

Se sente palpitar seu coração em sua presença: só isso não é amor, é sensibilidade.

Se deseja uma carícia, um beijo, um abraço...: só isso não é amor, é sensualidade.

Se o que deseja é o bem de seu noivo, mesmo às custas de sacrifícios, mortificações, quando ocasiões difíceis se apresentarem: encontrou o verdadeiro amor.

Deve-se conhecer o noivo, a noiva, mas isso é muito mais do que freqüentar sua casa, é muito mais difícil que querê-la... Precisa-se de um exame de consciência pessoas; examinar-se diante dele, ele diante dela, diante de Deus, de seus mandamentos. O esposo deve ser algo de Deus para a esposa; a esposa, algo de Deus para o esposo...

Quando esse pensamento conduz à paz, a uma harmonia, a um complemento mútuo de compreensão, de satisfação intelectual, é sinal de que se está indo por bom caminho... Mas cuidado, há obstáculos a serem superados, inimigos a serem vencidos: a paixão que nubla, a tendência da carne que nos torna como animais, o egoísmo sutil que subjetiviza, a importância intelectual que nos impede de raciocinar e que faz plebeus a mais de 80% dos cérebros juvenis...

Uma jovem que havia guardado imaculada sua pureza escrevia o seguinte: "Exigirei que meu futuro marido se tenha guardado intacto como eu para nosso lar".

Também vocês têm o direito, a obrigação de reclamar a pureza de seu futuro marido, apesar do que o mundo de hoje nos mostra. Sejam firmes nesse assunto e terão fundamentos santos e inabaláveis para o lar ao qual Deus as chama.

Tudo isso nos mostra com que seriedade devemos enfrentar um noivado. Não é coisa para crianças; requer juízo, maturidade, inúmeras condições num e noutro, impossível de se existirem em crianças ou adolescentes.

Idade conveniente

Aparece aqui então a questão da idade. Em que idade pode-se começar um noivado entre jovens católicos?

O noivado só é lícito quando se tem idade suficiente para contrair casamento, porque seu objetivo é preparar-se para tal. Mas não se trata de considerar a "idade canônica", a idade estabelecida pela Igreja para a "validade" do casamento.

Geralmente, não há idade determinada para que haja um noivado formal. É preciso uma maturidade emocional, uma preparação moral suficiente para sustentar com capacidade suficiente as obrigações e os deveres de pai e/ou mãe.

Conhecemos pela história casamentos de adolescentes, quase crianças, formalizados mais pelos pais do que pelos próprios esposos. Porém, mesmo assim, alguns foram felizes e santos.

Hoje em dia não é assim. Dadas as circunstâncias do mundo em que vivemos, é totalmente desaconselhável o casamento e o noivado entre adolescentes.

Se tivéssemos que estabelecer uma idade mínima, assinalar com quantos anos convém uma jovem começar a namorar, diríamos que aos vinte anos aproximadamente. Não antes. E para o homem, um pouco mais...

Um autor nos diz que é a idade quando "a vida já deu às pessoas uma sensatez, uma prudência e uma visão da realidade que não se pode ter em tenra idade". Querer "ter um noivo" antes dessa idade é como comer fruta verde; e todos sabem o que acontece quando se come fruta verde... produz dores e mal estar.

Poucas vezes os amores prematuros, que não são amor e sim namoricos, tornam-se amor maduro e casto.

O que acontece é que esse primeiro fogo se apaga e acaba deixando o coração ferido, com amarguras.

É o amargor da desilusão, da acidez da fruta verde.

Ao "amor em tenra idade" seguem-se uma carreira de namoricos que só deixa velhas solteironas, amargas, tristes e desencantadas da vida... ou, ... ou acontecem os matrimônios "às pressas" ... e em seguida a separação, o divórcio com todas as suas seqüelas.

E já que falamos de idade, é bom falar de algo suplementar, porém importante: as diferenças de idade.

O melhor é que ele seja um pouco mais velho do que ela, alguns anos, não muitos, no máximo de quatro a seis anos.

Se for muito mais velho, não será fácil a acomodação mútua; talvez já tenha algumas "manias de solteirão" difíceis de serem vencidas por ele e suportadas por ela. Além disso, há o risco de tornar-se viúva, jovem ainda, prejudicando a educação dos filhos.

Se é ela quem "leva grande vantagem na idade", as dificuldades de acomodação à vida em comum são maiores... Mais que esposa, ela será sogra; mais que submissa, será a "chefa" de seu marido...

É necessário considerar neste assunto os costumes do lugar e lembrar que também já houve exceções e sempre haverá. Mas quatro a seis anos é a diferença de idades que a ordem da natureza parece exigir no amor humano, no matrimônio cristão.

Tempo do noivado

Por último, convém falar algo sobre o tempo do noivado, ou melhor, quanto tempo deve durar normalmente o noivado?

Já se pode imaginar dois extremos antinaturais. Existem aquelas que "para não perdê-lo", falam logo "sim" ao noivo e se casam três meses depois de tê-lo conhecido. Nem sequer se lembram da cor de seu cabelo, não têm consciência do que ele pensa e quando muito, sabem apenas o dia de seu aniversário...

Os sofrimentos que os esperam são indizíveis, os tropeços na vida conjugal, sem falar do risco que correm de que tudo termine em fracasso.

Nosso conhecido Pe. Castellani falava sobre isso: "no noivado os futuros esposos aprendem a conhecer-se. Isso faz com que não convém que seja curto, muito mais em nossos dias, onde há uma grande confusão social que faz com que às vezes os que se casam sejam desconhecidos entre si. Antes, as famílias se conheciam desde muito tempo e a sociedade não estava mesclada e agitada como está agora. É claro que o noivado não é o casamento. Cada um dos noivos arruma para si uma máscara de ótima aparência; mas se o noivado for mais longo, essa máscara cairá".

O outro extremo são os "eternos noivos", que perpetuam o noivado por tantos anos que já se perde a conta, não sabem mais quando se conheceram, nem como, talvez sejam noivos desde a infância...

Nada mais os atrai; não há nada de novo. Estão juntos, com um incentivo, a ilusão de um futuro lar. Ele conhece tudo sobre ela, ela conhece tudo sobre ele. Mais do que noivos, parecem dois seres que vivem para ter uma "companhia, alguém com quem sair, o noivo, a noiva "seguros" de que não ficarão pasmados em casa enquanto há uma festa que lhes interessa.

O normal, o natural, é um noivado de um ano ou dois, um máximo de dois anos e meio ou pouco mais.

Com menos tempo é muito difícil conhecer o futuro noivo suficientemente e é possível que depois de casados apareçam defeitos não suspeitados e que põem em perigo a vida conjugal.

Com mais tempo, facilmente se perde o respeito, o interesse em formar um lar, uma família católica e se cai no que já dissemos: um relacionamento cuja razão de ser é ter uma boa companhia sempre à disposição para o que se necessite.

É claro que existem exceções e que também deve-se ter em conta os costumes locais e outras circunstâncias que venham a ser razões suficientes para encurtar ou alongar esse tempo: conhecimento prévio, qualidades excepcionais, situações econômicas, de trabalho, estudo, etc.

Como palavras finais sobre esse tempo, repetimos o Pe. Llanos: "A escola do noivado tem por único sentido ser um meio de cultivo de um amor que brotou num primeiro dia feliz quando os dois se conheceram. O noivado é como uma estufa, um sulco na terra onde cresce em ritmo lento e misterioso a semente que Deus plantou quando quis e porque quis - eis aqui a interpretação mais simpática do que seja o noivado. Nele há algo que não está diretamente na vontade das duas partes, há um processo substancial em si que cresce arraigado nos dois corações. Ele e ela podem e devem fomentar o desenvolvimento lento e misterioso da "planta" interior que os aproxima e os une, mas nunca serão os donos absolutos deste crescimento. Impõe-se, antes de tudo, o respeito ao processo e a suas leis, que no fundo é o respeito à mão que dirige esse processo. Falando com mais profundidade: esse respeito é um ato de culto, um presente, um ato de submissão a Deus, pai e criador, que semeou o amor entre os dois jovens e o conduz. E porque esse processo tem sua lei cronológica e de crescimento, acelerá-lo é um disparate e um delito. Acelerá-lo é querer tirar dele suas conseqüências mais agradáveis, ou as mais definitivas, buscando uma floração de plenitudes antes de chegar a primavera. Eis um modelo para o modo de aprender a amar e ser amado no noivado: façam como o lavrador que sabe suas e esperar, que coordena o esforço de seu músculo com o olhar para os céus, observando se chegou o momento da chuva. Cultivar não é precipitar; cultivar tem tanto de serenidade quanto de afã, tanto de ritmo quanto de vigilância, tanto de esperança quanto de caridade. Cultivar, nesse caso, não é apenas conhecer e ser conhecido, é, além disso, sacrificar e saber ser sacrificado. Todas as relações têm de conceder ao sacrifício mútuo o dobro de força de alma que se concede à santificação mútua. O sacrifício mais fecundo do noivado é o de adaptar-se um ao outro uma vez que se percebeu os defeitos mútuos e combater em si defeitos que desagradam ao futuro cônjuge. Encarar os defeitos e superá-los com o afeto, expô-las com compreensão, ajudar o outro a combatê-los com a mais rigorosa ascética. Não há peça de solda que una mais os dois corações e as duas vidas do que esse "encaixe" cristão dos defeitos mútuos. Não há tarefa mais digna e mais prática do processo do amor cristão do que essa cumplicidade no combate dos defeitos mútuos. Em vez de desunir, torna-se o mais forte braço de união".

Parece-nos importante também uma advertência final: o dever mútuo de fidelidade durante o noivado, ou seja, ser noivo de só um jovem, exclusivamente. Um com uma.

A que me refiro eu? A que a jovem que está noiva deve ser fiel a seu noivo e não entrar em jogos perigosos com outros jovens com quem poderá, sim, conservar a amizade, mas nunca entrar em intimidades, confidências, conversações ou insinuações que despertem neles sentimentos perigosos, alimentem expectativas ou provoquem situações que não correspondem a sua atual condição de noiva católica que se prepara para o casamento.

Para finalizar, recordemos um provérbio russo: "antes de partir para a guerra, reze uma vez; antes de embarcar, reze duas vezes; reze três vezes antes de se casar".

É necessário rezar sempre, mas particularmente, de modo especial, antes do matrimônio. Durante o noivado, individualmente, juntos, ambos os noivos, um pelo outro, por si próprio, pelo noivado, pelo lar que vão formar.

Transcrevemos uma oração que os noivos devem aprender a rezar juntos, para que seu noivado seja realmente santo, os santifique e lhes permita alcançar um santo matrimônio:

"Senhor Todo Poderoso e cheio de bondade, Vós permitistes nosso encontro. Vós sois a fonte de toda luz e de todo amor. Dignai-vos por Vosso Espírito Santo preparar-nos para o sacramento do matrimônio. Ensinai-nos a conhecermo-nos verdadeiramente; fazei que nosso amor seja cada dia mais profundo, mais leal e mais puro.

Que sob vosso olhar nos respeitemos até o momento em que, pelo matrimônio, nos pertençamos mutuamente e desde então até o fim de nossas vidas. Por Jesus Cristo Nosso Senhor, Amém".

Outra oração que poderiam rezar juntos aqueles que queiram ter um noivado católico é a seguinte:

"Senhor Jesus, Vós que dissestes que onde dois ou três se reunirem em vosso nome, ali estaríeis Vós, e o que pedissem ao Pai, Ele o concederia, acercai-vos de nós e escutai nossa prece. Em vosso nome unimos nossos corações e nossos desejos; em vosso nome, porque consideramos nosso amor como dádiva vossa. Cremos que vós nos unistes, cremos que vós presidis nossa afeição, cremos que vós nos protegereis da ilusão. Vinda, Senhor, elevai ao Pai nossa oração. Vós conheceis nosso desejo mais íntimo: queremos que essa unidade que estreitastes entre nós seja duradoura e santa, que imite de algum modo aquela Unidade que Vós, com o Pai e o Espírito Santo, possuís e possuireis eternamente. E nesta unidade, Vós o sabeis, o sonho de um novo lar, de um Nazaré com a pureza e humildade de Maria, o trabalho e o esforço de José e vossa presença e imagem com nossos filhos, nascidos para Vós, e quantos Vós quiserdes nos enviar. Senhor Jesus, nossa gratidão só vos pode oferecer esses pobres corações de terra, cheios da ilusão mais pura, a fim de que Vós os bendigais com aquela bênção milagrosa de Caná. Convertei, Senhor, nosso amor de hoje, limpo e simples, em fecundo e doce vínculo matrimonial. A Mãe do Belo Amor intercede por nós. Ela se compadece de nós e nos ama. Vós fareis o milagre. Para que creiamos mais em Vós, na glória de vosso Pai e nosso, que convosco e o Espírito Santo vive e reina por todos os séculos dos séculos. Amém".

Como síntese da doutrina católica sobre o noivado, podemos dizer que não se pode viver cristãmente no matrimônio se não se viver cristãmente antes de chegar ao matrimônio.

A receita é a de toda vida cristã: a vida de oração, a freqüência aos sacramentos, a mortificação cristã, o desejo de cumprir sempre e em tudo a vontade de Deus, a devoção à Santíssima Virgem, a São José, ao Menino Jesus (a Sagrada Família, paradigma de toda a família católica), ao Anjo da Guarda. Não são coisas de uso facultativo, somente para aqueles que as desejam.

Manter-se na presença de Deus a cada instante, manter a vida interior e de piedade é o que permitirá à jovem ver com olhos sobrenaturais o que deve, o que é permitido e o que não é durante seu noivado para chegar pura ao casamento.

O que todos fazem, o que se vê sempre nos filmes, o que foi lido em algum livro, o que fala algum teólogo famoso, não justifica nunca atitudes contrárias às normas da moral católica.

Conhecer-se intimamente em vista de um matrimônio, vivendo castamente todo o tempo que dure o noivado, sempre na graça de Deus, é parte essencial dessa escola de amor cristão, inspirada não por um espírito egoísta e de possessão, mas por um espírito de renúncia, compreensão, respeito, delicadeza, verdadeira caridade.

O noivado será conveniente e lícito se a convivência com a outra parte provocar uma maior santidade, se a vida interior, o amor de Deus e a graça na alma crescem e se tornam mais nítidos conduzindo a uma vida exemplar.

LAUS DEO



Pe. Ricardo Olmedo

Professor de Moral no Seminário Internacional Nossa Senhora Corredentora.